quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Livros e padrões morais

O já falecido Jimmy Walker, ex-prefeito de Nova York, em seus anos de sucesso na década de 1920, era amplamente citado de forma sarcástica como sendo a essência destiladada da verdade do Evangelho, para aqueles que quisessem acreditar. Ele disse nunca ter ouvido falar de alguém que tenha sido arruinado por um livro.

Essas palavras foram proferidas, pelo que podemos lembrar, durante um inquérito oficial sobre o efeito de certa literatura duvidosa sobre a moral do público leitor. Não podemos provar que o Sr. Walker tenha ouvido dizer que alguém tenha sido arruinado por um livro, mas isso só pode significar que o seu conhecimento sobre a matéria era muito pequeno, ou que  a sua ideia do que significa ser "arruinado" não era a mesma das pessoas mais conscienciosas da nossa população que se sentem atingidas pelo efeito da má leitura sobre a mente coletiva. Seja como for, a conclusão de Walker é completamente falsa. Os fatos lhe são contrários.

A história pode mostrar que livros maus têm arruinado não apenas pessoas individualmente, mas nações inteiras. O que as obras de Voltaire e de Rousseau fizeram à França é bastante conhecido para que nos delonguemos aqui. Ainda, não seria difícil estabelecer um relacionamento de causa e efeito entre a filosofia  de Friedrich Nietzsche e a carreira sangrenta de Adolph Hitler. Certamente, as doutrinas de Nietzsche apareceram de novo na oratória do Führer e logo se tornaram a linha oficial do partido para os propagandistas nazistas. E, dificilmente, admitiríamos que o comunismo teria surgido na Rússia mesmo que não houvesse a obra de Karl Marx.

A verdade é que os pensamentos são realidades e as palavras são sementes. A palavra impressa pode permanecer incógnita como uma semente por todo um inverno, mas que aflorará quando o tempo for favorável, produzindo uma abundante safra de crenças e práticas. Muitos dos que são hoje membros de grande utilidade na igreja foram trazidos a Cristo pela leitura de um livro. Milhares têm testemunhado o poder de um humilde folheto para trazer a mente e a atenção da pessoa a Deus e a salvação.

Até que ponto toda aquela má literatura tem contribuído para a presente situação de queda da moralidade em nosso mundo é algo que não será conhecido até o dia em que os homens forem chamados a prestar contas de suas obras impiedosas diante do Senhor. Para milhares de jovens, a primeira dúvida quanto a Deus e à Bíblia  proveio da leitura de algum livro mau. Temos de respeitar o poder das ideias. As impressas são tão poderosas quanto as faladas - aquelas podem retardar um pouco mais, porém o seu poder explosivo é igualmente enorme.

O que isso nos acrescenta é que nós, cristãos, temos que nos engajar com toda convicção a desencorajar a leitura de literatura nociva e a promover, tanto quanto possível, a circulação de bons livros e boas revistas. A nossa fé cristã nos ensina que no Dia do Juízo, daremos conta de cada palavra frívola que proferimos (Mt 12.36). Então, com que severidade seremos responsabilizados por toda palavra má, escrita ou falada?


A tolerância para com a literatura perniciosa não é uma característica de uma abertura intelectual - pode ser  um sinal de uma secreta simpatia pelo mal. Cada livro deve ser aceito ou rejeitado pelo seu próprio mérito sem se levar em conta a reputação do seu autor. O fato de que um livro ruim ou indecente seja obra de um escritor "bem aceito" não o torna menos danoso, não importando a sua origem. Os cristãos devem julgar um livro por sua natureza, não pela reputação do autor.

O desejo de demonstrar ter uma mente tolerante ou aberta  não é fácil de ser contido, porque ele tem a sua raiz em nosso "eu" e é simplesmente uma não tão sutil forma de orgulho. Em nome da tolerância, muitos lares cristãos têm sido abertos a uma literatura proveniente de uma mente obtusa, suja e poluída pelo mal. Exigimos de nossos filhos que limpem os pés antes de entrarem em casa. Como exigir menos da literatura que chega em nosso lar?


# ESTE MUNDO: LUGAR DE LAZER OU CAMPO DE BATALHA? # by A.W. Tozer

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