quarta-feira, dezembro 07, 2011

“Devemos nos esforçar para ser como a lua.”

Um ancião em Kabati sempre repetia essa frase para as pessoas que passavam por sua casa para buscar água, caçar ou colher seiva nas palmeiras, e também aos que caminhavam de volta a suas fazendas. Eu me lembro de ter perguntado a minha avó o que o ancião queria dizer com aquilo. Ela me explicou que o ditado servia para lembrar as pessoas de se comportarem sempre da melhor maneira possível e serem boas umas com as outras. Ela disse que as pessoas sempre reclamam quando o sol as castiga demais e está intoleravelmente quente, e também quando chove demais ou está frio. Mas, ela falou, ninguém se queixa quando a lua brilha. Todos ficam felizes e apreciam a lua, cada uma a seu modo. As crianças brincam com suas sombras sob a luz da lua, as pessoas se juntam para contar histórias e dançar noite adentro. Muitas coisas boas acontecem quando a lua brilha. Essas são algumas razões pelas quais devemos ser como a lua.

- Você está com cara de fome. Vou te preparar uma mandioca – disse ela terminando a conversa.

Depois que a minha avó me contou por que devíamos nos esforçar para sermos como a lua, passei a observá-la. Toda noite em que a lua aparecia no céu eu me deitava no chão e ficava quieto, olhando para ela. Queria descobrir por que era tão atraente e adorada.




(Extraído do livro Muito longe de casa – memórias de um menino soldado – Ishmael Beah)

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