quarta-feira, dezembro 28, 2011

Qual é a sua natureza?

Henri Nouwen conta a história de um velho que costumava meditar toda manhã bem cedo sob uma enorme árvore na margem do Ganges. Certa manhã, depois de ter terminado sua meditação o velho abriu os olhos e viu um escorpião flutuando sem defesa na água. Quando o escorpião se aproximou da árvore pela água, o homem depressa estirou-se sobre uma das longas raízes que se espraiavam rio adentro e estendeu a mão para resgatar o animal que se afogava. Logo que o tocou, o escorpião picou-o. Instintivamente o homem recolheu a mão. Um instante mais tarde, depois de recuperar o equilíbrio, ele se estirou novamente sobre as raízes para salvar o escorpião. Desta vez o escorpião picou-o tão gravemente que a mão do homem ficou inchada e ensanguentada, e seu rosto contorcido de dor.

Naquele momento um passante, vendo o velho estirado no chão a lutar com o escorpião, gritou:

-- Ei, velho imbecil, o que há de errado com você? Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna. Você não sabe que pode se matar tentando salvar esse escorpião ingrato?

O velho virou a cabeça. Olhando o estranho nos olhos, disse calmamente:

-- Meu amigo, só porque é da natureza do escorpião picar, não muda minha natureza de salvar.


Sentado aqui em meu escritório, volto-me para o símbolo do Cristo crucificado na parede à minha direita. E ouço Jesus orando por seus assassinos: "Pai, perdoa-os. Eles não sabem o que fazem".

O escorpião que Ele havia tentado salvar finalmente o matara. A mim, o passante que o vê estirado sobre o madeiro e grita: "Só um idiota arriscaria a vida por uma criatura tão feia e maligna", Jesus responde: "Meu amigo, só porque é da natureza da humanidade decaída ferir, não muda minha natureza de salvar".

Eis aqui o repúdio final do ego. Abrimos mão da necessidade de vingança, entregamos o reino do eu ao Pai, e na soberana liberdade de perdoar nossos inimigos, celebramos a luminosa escuridão.



# A ASSINATURA DE JESUS # by Brennan Manning

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