"Foi Junior quem me ensinou a fazer pedras pularem no rio. Uma vez fomos buscar água e ele me disse que tinha aprendido uma mágica nova que fazia as pedras andarem na água. Dobrando o corpo de lado, ele jogava pedrinhas e cada uma andava na água mais rápido que a outra. Ele me disse pra tentar, mas eu não consegui. Ele prometeu me ensinar o truque noutro dia. Quando voltávamos pra casa com baldes na cabeça, escorreguei e caí, derramando a água. Junior me deu o balde dele, pegou o meu e voltou ao rio. A primeira coisa que ele me perguntou quando chegou em casa foi se eu tinha me machucado quando caí. Eu disse que estava bem, mas, de qualquer maneira, ele fez questão de examinar meus joelhos e cotovelos, e, quando terminou, fez cócegas em mim. Enquanto olhava para ele naquela noite, sentado na varanda de uma casa numa aldeia desconhecida, quis que ele me perguntasse se eu estava bem."
(Extraído do livro Muito longe de casa – memórias de um menino soldado – Ishmael Beah)
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Quem nunca se sentiu assim?
A gente vive momentos inesquecíveis com pessoas maravilhosas, nos sentimos tão próximas e tão íntimas que um suspiro é capaz de ser interpretado sem que se diga uma palavra sequer.
E um dia, como num passe de mágicas (?), tudo muda, mesmo perto somos como estranhos, desconhecidos, numa presença ausente, nem as palavras conseguem ser entendidas, quanto mais o silêncio...
Hoje me sinto assim sobre alguns.
E sei que algumas pessoas também se sentem assim sobre mim.
Não sei bem onde perdemos a capacidade de captar um sorriso triste, um olhar distante, um pedido de socorro não atendido, uma lágrima que não conseguiu derramar-se...
Talvez isso seja normal, faça parte do nosso ciclo e eu ainda não tenha me dado conta, aprendido a lidar, talvez não.
Se houvesse retorno eu gostaria de retornar... em silêncio.
segunda-feira, dezembro 05, 2011
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