"Vi nos olhos de meu doce filho e em suas ações. Ele se sentia impotente e fora de controle, e isso fez com que seu coração de cinco anos sentisse raiva. Ele era muito ligado a seu avô. William, meu sogro, havia morado conosco por dois anos e era o tipo de avô que todo garoto deveria ter. Sua paciência não tinha fim e suas histórias eram hilárias. Mas uma noite, William teve um ataque no banheiro, sofrendo um infarto fulminante. Christian e eu éramos os únicos na casa com ele. Os paramédicos fizeram de tudo para reavivá-lo na ambulância enquanto íamos para o hospital local. Christian e eu seguíamos em nosso carro. Ele estava muito quieto no caminho. Quando chegamos, uma enfermeira levou Christian para uma sala separada e o médico me disse que Willian não tinha sobrevivido.
Nos dias de semana que seguiram, vi meu filho sofrer a perda do avô e sofria com ele. Ele chorava bastante e eu ficava feliz por ver que conseguia botar para fora o que estava sentindo, mas um dia vi uma nova emoção tomar conta. Quando passava por uma cadeira em que nossa gata, Lily, estava sentada, ele a empurrou para o chão. Nunca o tinha visto fazer nada parecido antes. Nós saímos para uma longa caminhada perto do campo de golfe da nossa casa e, depois de um tempo, sentamos na grama para conversar.
- Christian, você está com raiva, meu amor?
- Sim, mamãe – ele respondeu.
- Você quer falar comigo sobre isso?
- Você me disse que Deus atende a nossas orações. Orei pedindo que deixasse meu avô viver, mas ele não me atendeu. Não entendo.
Qual de nós nunca se achou nessa situação?
Uma das maiores lutas da vida cristã é saber que Deus pode atender a todas as nossas orações e, no entanto, nem sempre ele as atende do jeito que gostaríamos."
(Extraído do livro Não sou a mulher maravilha, mas Deus me fez maravilhosa – Sheila Walsh)
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Essa impotência se apossou de mim quando minha mãe foi diagnosticada com metástase de fígado em 2007, após ter feito meses de quimioterapia no ano anterior e se submetido a uma mastectomia, por causa do câncer de mama do qual foi vítima em 2005.
Era uma mulher cheia de vida, porrêta, azougada, determinada, prática, cheia de fé, uma mulher de Deus.
Chorei, questionei, chorei, questionei, chorei, questionei...
"Por isso, (pela situação que me aflinge e não sou capaz de compreender)
não reprimirei a boca,
falarei da angústia do meu espírito,
queixar-me-ei na amargura da minha alma" - Jó 7:11
Mas eu sei (sempre soube) que Ele é o Dono da vida, o Único que a dá e a pode tomar.
E embora não consiga compreender alguns dos seus propósitos, acredito cegamente na Sua Soberania.
"Os teus olhos me viram
a substância ainda informe,
e no teu livro foram escritos
todos os meus dias,
cada um deles escrito e determinado,
quando nem um deles havia ainda" - Salmo 139:16
O tempo de Deus não é o nosso. Os pensamentos de Deus não são os nossos. Os motivos de Deus não são os nossos. E os mistérios de Deus são incompreensíveis pra nós.
Parei de questionar!
Me fortaleci, sobretudo, nas coisas que ela me ensinou: crer em Deus, honrá-lo, buscá-lo, obedecê-lo, ser fiel a Ele, permanecer firme. Porque até o último momento ela ficou firme e foi fiel ao Seu Deus.
Sei que ela está com o Pai. E fico feliz porque agora, pra ela, não há mais lágrimas nem dores.
E aqui dentro só uma imensa saudade! E eu prefiro a saudade que sou capaz de suportar todos os dias às dores incomensuráveis que ela sofreu todo aquele tempo.
"Combati o bom combate,
completei a carreira,
guardei a fé." - 2 Timóteo 4:7
Esses versos foram o lema da vida dela. Neles minha impotência se desfez, na certeza de que os propósitos de Deus foram e ainda estão sendo cumpridos. (Independente da minha limitada compreensão)
domingo, dezembro 04, 2011
Impotência
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Minha mãe cantou HÁ UMA TERRA ALÉM DO RIO no culto e eu lembrei de tu, pois no dia das Mães tu postou que foi a última música que cantou pra ela. Bom saber que a eternidade nos aguarda e não haverá separação.
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